segunda-feira, novembro 21, 2005

Geração W

A literacia digital "deve ser inscrita nas prioridades políticas e pedagógicas", porque o que está em causa "é algo de fundamental" para a sociedade e a economia.
A sugestão partiu de Manuel Pinto, docente na Universidade do Minho (UM), um dos participantes no seminário "Geração W - educação e media", que decorreu na Maia. Manuel Pinto, autor de «A Televisão no Quotidiano das Crianças», reconheceu que, por exemplo, descobriu a realidade dos blogues com os seus alunos, a geração da literacia digital "que está em vários lados ao mesmo tempo" e introduz novas palavras na língua. Com essa partilha, disse, redescobriu a sua condição de docente.
Afinal, o que é a geração W? O docente da UM traçou-lhe o perfil são os utilizadores da Internet, dos jogos electrónicos (que em volume de vendas já ultrapassam o cinema de Hollywood) e do telemóvel. No fundo, "uma geração conectada", embora isso não signifique que "comuniquem melhor do que nós".É também uma geração "(des)enganada", embalada no "canto da sereia dos poderes das tecnologias". "Despistada", porque carece das "grandes referências"; e "sem grande horizonte", a nível de emprego e "estabilidade afectiva".
Segundo Manuel Pinto, "há o risco cada vez maior da cultura digital cavar o fosso com a cultura escolar". Por isso, e como falava para uma plateia de professores, disse que é preciso "assumir o desafio do digital - nós também somos a geração W, mas por defeito".
Eduardo Cintra Torres, outro dos intervenientes no debate, promovido pela Direcção Regional de Educação do Norte, falou do peso da TV no quotidiano dos portugueses. O crítico de TV e media lembrou que as nossas crianças, em termos europeus, são as que mais horas passam à frente do ecrã, e que o televisor, lentamente, aparece em quase todas as divisões da casa. Aliás, em certas habitações, o número de televisores é superior aos moradores.
Para a directora da revista Notícias Magazine, Isabel Stilwell, é necessário encontrar alternativas para a geração W, porque o "mundo virtual" é insuficiente. A esses jovens, disse, devemos dar-lhes uma bússola", os valores "têm de ser recriados por eles". E lembrou que esta geração também lê, basta ver os índices de leitura.

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