terça-feira, dezembro 20, 2005

Natal...


…e depois, há o tema natalicio, trabalhado e explorado até ao grau da loucura colectiva; são os efeitos de Natal, fitas, coroas, o pai Natal electrónico que canta, ri e dança o vira, as flores, os arranjos, as luzes nas ruas, etc, etc. Nenhum pobre mortal consegue escapar à onda devastadora de luz e cor que invade o mundo.

Mas há coisas piores, como por exemplo, as musicas de Natal.
Uma pessoa chega a dia 15, pouco mais de uma semana antes do grande dia e os nervos já não aguentam as musicas natalícias, que ainda por cima são sempre as mesmas e sempre más. Entre o Bing Crosby com o “white christmas” e o Coro de Santo Amaro de Oeiras, venha o diabo e escolha, passando pela Mariah Carey e outros cromos, venha o diabo e escolha.

Até parece mal falar do diabo numa quadra dita santa, mas se ele existe, deve estar a esfregar as mãos e a dar festas na sua cauda demoníaca com o que a sociedade ocidental fez do Natal. O que era a celebração sacra, solene e austera_não nasceu o menino numa gruta, entre palhas, filho de mãe imaculada e pai putativo e apenas com a companhia de uma vaca e um burro?-para uma festa de consumismo que roça a demência.
(…)


Margarida Rebelo Pinto na sua crónica semanal no jornal Metro

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