sexta-feira, janeiro 27, 2006

O regresso de Ursula Rucker

A norte-americana Ursula Rucker regressa em 2006 com o disco «Ma`at Mama».
A spoken word mistura-se com uma sonoridade urbana cada vez mais singular.
Ursula Rucker tem alma de profeta. Mas não de um pálido discurso de banalidades. Ela fura o baixo ventre e arranca sentimentos do esófago mais decrépito. Ursula Rucker faz uso do seu passado afro-americano, mesmo que por vezes soe um tanto racista, para expressar visões mais que pertinentes.
Entre recuperações esporádicas à nova black music («Hot in Here»-Nelly, «Hollaback Girl»-Gwen Stefani, «The Seed»-Cody Chesnutt, via The Roots), balanços instrumentais mais hip-hop, downtempo, jazzy, afro-qualquer-coisa, a artista debita um punhado de verdades experienciadas na primeira pessoa, bem como contextualiza segregações de pensamentos, que no conjunto Rucker, tornam-se identidade.
A diva-anti-diva sugere em «Ma`at Mama» uma imagem de Rucker diante de uma rua stressada, segurando uma bíblia urbana pós-moderna, recitando em direcção aos olhos de quem se atravessa no incisivo discurso da artista.
Na trindade conjunta com Michael Franti e Ani Di Franco, Ursula Rucker recusa estagnar em ofensas baratas e sem direcção. As coisas são para ser ditas e Rucker faz o favor de ser explícita no que fala. Atente-se na frase final de «Black Erotica»: «there you have it, the longest minute in cunnilingus history»…

in DiarioDigital

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