
... este é o lema da ExperimentaDesign 2005 que decorre até 30 de Outubro em Lisboa.
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Micro, Mentes Conscientes ou Oficio são apenas algumas manifestações musicais de D-Mars. Em todas elas se percebe que o talento do autor dos beats, inventor dos ritmos, manipulador dos samples e dos sons, criador da dinâmica e descobrir de soluções sonoras interessantes, é acima da média. Quando se percebe que é sempre a mesma pessoa, capaz de um tão grande ecletismo e tão bons resultados, então o mais natural é prestar-lhe o devido tributo e nunca mais perder-lhe o resto.A última obra de D-Mars confirma que vale a pena estar atento para não deixar escapar um disco tão bom e viciante como "The Pyramid Sessions", assinado como Rocky Marsiano. Confirmam-se expectativas, já não restam dúvidas e, ainda há espaço para a surpresa. D-Mars é um produtor de eleição e tem, como assinalável qualidade, a capacidade de entender e tratar a música como um todo e não se deixar confinar por categorizações. Segue o espírito seminal e primordial do hip-hop, entendido como escola aberta e aglutinadora de todos os estímulos sonoros que andam no ar. Desta vez, o jazz é quem mais ordena, e à manipulação do vinil e ao cinzel do computador, juntam-se instrumentos reais, manobras giradisquistas e ainda a prestação vocal de D-Fine (para além do próprio D-Mars que também canta e toca). É um disco pujante e cheio de groove e swing. Ouve-se de um fôlego de uma ponta à outra, mas não se esgota. è um manancial de pistas e referências que vale a pena seguir, e está ao nível do assalto ao catálogo da Blue Note recentemente perpetrado por Madlib. Como nos dizem no press-release, o disco "pode ser lido também como uma homenagem a todo um género, como um tributo à nobre linhagem que se estende de Louis Armstrong a Herbie Hancock, de Charlie Parker a Lou Donaldson e de Dizzy Gillespie a todos os outros grandes gigantes da história do jazz. Uma história que D-Mars foi descobrindo de uma forma pessoal, não com a linearidade académica sugerida em estudos sobre o género, mas com o carácter imprevisível e aleatório de quem aborda a música ao sabor das descobertas em lojas onde os discos procuram novos donos."Se fosse há uns anos, dir-se-ia que "nem parece português". Mas é. E é um daqueles discos que nos faz pensar como seria bom o país, e o Estado, apostar nesta área de actividade como potencial produto de exportação. Contra a depressão nacional, ora ai está um belo Prozac orgânico, com recomendáveis efeitos secundários.




